Ganhando eleições no Brasil

27set10

Aqui no Ceará, o deputado federal líder nas pesquisas de intenção de voto é Domingos Neto. Filho do candidato a vice-governador de Cid Gomes, Domingos Filho, o rapaz rechonchudo é dono de um currículo cujo peso é inversamente proporcional ao seu próprio. Estudante de Direito na Unifor, nunca foi eleito para nada, jamais apresentou um plano de ação política e inúmeras vezes aproveitou o palanque de seu pai durante a inauguração de obras no interior do estado para fazer propaganda antecipada. Nem ao menos ocupou algum cargo público de relevância mínima. Mas esse menino apagado, que sequer manifestou iniciativa para trabalhar como aspone e que era um completo desconhecido dos eleitores até um ano atrás, conta com capital (político e financeiro) para disseminar sua propaganda pelos quase 150.000 km² de território do estado. Domingos Neto, obviamente, não é um humorista mulato de origem pobre. Talvez por isso, sua liderança nas pesquisas eleitorais não incomoda os eleitores cearenses tanto quanto a liderança de Tiririca incomoda os eleitores paulistas, apesar de a formação política dos dois ser semelhante em sua absoluta inexistência.

No Brasil, para obter as centenas de milhares de votos dispersos pelo estado, um candidato a deputado ou senador precisa de financiamento suficiente para conseguir espalhar sua imagem por dezenas de quilômetros quadrados. Se for famoso, um ator, comediante ou apresentador de programa policial sensacionalista, o trabalho fica ainda mais fácil. Em contraste, nos EUA, os estados são divididos em distritos eleitorais proporcionais ao número de habitantes, e cada distrito escolhe seu representante. O rincão eleitoral definido torna conveniente a realização de uma propaganda mais localizada, com corpo a corpo com os eleitores, além de facilitar a fiscalização e o acompanhamento do trabalho dos candidatos por parte da população. O mais importante é que, naquele país, é possível ser congressista sem ser podre de rico, e, de fato, a maioria dos legisladores americanos têm origem mais humilde do que os parlamentares brasileiros.

Decepcionante, portanto, que a grande maioria dos candidatos cearenses ao Senado, incluindo representantes de partidos supostamente progressistas como o PSol, tenha manifestado posição contrária ao voto distrital. A imprensa, como de costume, fecha os olhos, e a população ignora. Comportamento natural em um país no qual o dedo acusatório é mais importante do que o ato de apresentar soluções.



4 Responses to “Ganhando eleições no Brasil”

  1. 1 Ivan Costa

    não consegui ver o link do final do post..

  2. 2 Ana Lívia

    Realmente é absurdo ver a liderança do Domingos Neto.

  3. 3 Jimmy Moreno

    bem.. o fato é que são poucos os brasileiros que gostam de políticas ou dos políticos e entendem desse esquema!


  1. 1 Ainda sobre lista fechada « CONTRAMANIFESTO

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